Revista Pernambuco #32 - Capa Lorca
Sinopse
A poesia entre o demônio e o duende
O MIT vem desenvolvendo um interessante trabalho de medir a popularidade global das mais diferentes personalidades, do presente e do passado. Chama-se Pantheon Project. Nesse ranking, o poeta e artista William Blake, é considerado o 240º. escritor mais popular do Reino Unido, e ocupa a 237ª posição entre os escritores em geral. Além disso, é “a 215ª biografia mais popular do Reino Unido”. Mas tem decaído em prestígio, como informa o seu perfil no projeto: em 2024, por exemplo, se situava na 199ª posição, no âmbito global, e a 140ª no seu país.
Não há no Brasil um levantamento similar, mas certamente o prestígio de Blake vai começar a crescer a partir deste mês. Por causa do lançamento, pela Editora Iluminuras dos seus poemas iluminados (nos dois sentidos do termo).
A Iluminuras publicando os poemas e as iluminuras de Blake parece um trocadilho tautologicamente calculado bem-humorado. Mas trata-se, na verdade, de um casamento perfeito. Blake foi mais perito em "casamentos" entre opostos: do céu com o inferno, da inocência com a experiência. Além do mais, há a sua famosa citação sobre Milton, quando diz que "foi um verdadeiro poeta e, sem saber, do lado dos demônios”.
Do lado dos Republicanos estava o poeta Federico García Lorca, mas não foi por causa disso que morreu. O seu assassinato pelos franquistas foi tão brutal e injustificável, que parece somente mais uma prova cruel de que a estupidez humana fica pior quando se casa com a política, a religião ou a ideologia. Faz 90 anos neste mês que o autor do Romancero Gitano tombou em Granada. Os ciganos estão entre aqueles das minorias e dos marginalizados por quem ele sentiu simpatia e empatia. Isso está bem esmiuçado num ensaio de José Antonio González Alcantud, antropólogo espanhol (da mesma Granada de Lorca).
Entre os acontecimentos mais importantes em torno dos 90 anos da morte do poeta andaluz está a publicação por uma editora gaúcha de Porto Alegre da sua melhor conferência: sobre o mistério e a magia do duende. Por fim, mais não menos importante, uma tradução inédita e exclusiva para a revista Pernambuco: a tradução do que talvez seja o melhor poema homoerótico do Ocidente de Lorca: “Ode a Walt Whitman”. Menos indireta e mais afirmativa do que o outro poema, de título idêntico, de Fernando Pessoa. A tradução é de um colaborador habitual desta revista: Rodrigo García Lorca.
Características
- Edição: Agosto/2026
- ISBN:
Etiquetas: Pernambuco, Rodrigo García Lorca, William Blake

