Revista Pernambuco #28
Sinopse
Rir da própria desgraça
Que se chamasse Gregorio Allegri (1582-1652) aquele que compôs um dos melhores "misereres" é dessas ironias de que estão cheias a história e a literatura. (A verdade é que herdou isso do avô cujo nome era ainda mais musical: Allegro). Se houvesse um gênero “Misereri” nas letras no Brasil, o escritor José Castello estaria na primeira fila dos virtuosos. Com uma série de Anekdoten do cotidiano. O livro que está lançando e tem o título de Histórias miseráveis é uma reunião de algumas das melhores. Quem conhece a história da versão de Allegri para o salmo 51 (o Miserere mei, Deus) sabe que ela própria uma deliciosa anedota, que terminará por envolver até uma situação da biografia de Mozart.
Usamos o termo anedota em alemão para não se confundir com o sentido que adquiriu no Brasil: de piada, de chiste. O sentido aqui usado remete a umas historietas cheias de espírito, que alcançaram em, por exemplo, um autor como Heinrich von Kleist (1777-1811) o mais alto nível.
Foi também em um termo alemão que pensamos ao ler essas histórias de Castello: Schadenfreude. A palavra que mais bem expressa em síntese o sentimento de desfrutar com a desgraça. A diferença é que em Castello são, amiúde, os personagens que, digamos, não propriamente se deleitam com o próprio infortúnio, mas se divertem em expô-lo.
Chamar de anedota ou de crônica esses breves fragrantes de uma cena imaginada pode ser algo impreciso. Trata-se mais de uma engenhosa mistura de conto e de crônica cujo pano de fundo pode também mesclar-se como cantigas de amigo e de amor que, ao mesmo tempo, fossem de escárnio e maldizer.
A miséria, com estilo e agudeza, dota-se de um especial sabor no que nas Histórias miseráveis, de José Castello. Com a medida do essencial e do impacto. Obtido este último, estamos diante do leitor ideal à maneira de Kafka: “precisamos de livros que nos comovam como um desastre, que nos causem uma dor profunda como a morte de alguém a quem amamos mais do que a nós mesmos, como se estivéssemos exilados nas florestas mais remotas.”
Características
- Edição: Abril 2026
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