• Revista Pernambuco #31

Revista Pernambuco #31

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Sinopse

“A JUSTIÇA, A EQUIDADE, A MODERAÇÃO, QUASE ENTERRADAS NO

PAÍS...”

O cântaro quebrado é uma peça do alemão Kleist (1777-1911). Nela o

verdadeiro culpado é o juiz. A história se passa numa aldeia neerlandesa, mas podia ser

no Brasil. Com uma diferença crucial. Nenhuma autoridade de cá diria estas palavras do

juiz Adam: “Sonhei que um queixoso me agarrava e me arrastava até o tribunal, e lá

estava eu mesmo sentado no banco dos réus, e ele me repreendia, me insultava, me

chamava de malandro e me condenava à forca”.

No Brasil cabe a pergunta de Pessoa: “Quem há neste largo mundo que me

confesse que uma vez foi vil?” Não, no Brasil não há esse tipo de confissão. Sobretudo

na chamada elite. Ninguém teve, tem ou terá culpa. Neste paraíso da moralidade –

sobretudo a pública – não falta quem subscreva a frase da ficção sartriana: o inferno são

os outros. Além disso, parece haver sido incorporada aquela máxima do século XVI,

que Gaspar Barléu fez bem-conhecida. Tão conhecida, que virou tema de canção. O que

diz o holandês na sua História dos feitos recentemente praticados durante oito anos no

Brasil e noutras partes sob o governo do ilustríssimo João Maurício Conde de Nassau?

Isto:

“Todos os flagícios eram divertimento e brinquedo, divulgando-se entre os

piores o epifonema: –Além da linha equinocial não se peca–, como se a moralidade não

pertencesse a todos os lugares e povos, mas somente aos setentrionais, e como se a linha

que divide o mundo separasse também a virtude do vício. Mas tudo isso foi suprimido e

emendado pela severidade e prudência no novo governador, que coibia muitos abusos,

corrigia muitos erros e punia rigorosamente muitos delitos, de modo que se poderá crer

ter ele feito maior número de bons do que encontrou. A justiça, a equidade, a

moderação, quase enterradas no país, foram restituídas às cidades, vilas e aldeias”.

Tudo isso vem a propósito do novo livro de Joaquim Falcão, que denuncia uma

espécie de complô oligárquico dos três poderes, e põe a nu os vícios da República: A

Oligarquia dos poderes: E a crise da Democracia.

Características

  • Edição: Julho/ 2026
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